
Wednesday, December 24, 2008
Sunday, October 26, 2008
Wednesday, October 15, 2008
DIA DO PROFESSOR ou apenas um calendário na parede
DIA DO PROFESSOR ou apenas um calendário na parede.
A palavra calendário é de origem latina, calendarium ou livro de registros, os romanos denominaram calendae, o primeiro dia do mês. Como a maioria das palavras no nosso idioma, calendário é polissêmica, isto é, tem vários sentidos tais como um conjunto especial de eventos planejados.
Nós professores lidamos cotidianamente com datas, números, eventos, planilhas, registros que muitas vezes a nossa primordial tarefa de ensinar se perde no entrevero de livros de freqüências, dos conceitos, as infrequências, das incompreensões e das imprevisões orçamentárias, especialmente às pertinentes aos nossos salários, uma palavra também origem latina. Salário vem de sal, moeda de troca.
Escolheram para nos homenagear o dia 15 de outubro, um dia que alguém escolheu entre os muitos constantes nos livros de registros. Como os índios, os trabalhadores, as mães, os pais, as crianças, as secretárias, mais recentemente os avós e os amigos, todos os dias são iguais para os professores, exceto 15 de outubro.
O Elton Oliveira, um profissional remomado, um ex-aluno muito especial, na sua imensa generosidade me enviou um poema que transcrevo uma estrofe:
“Ser Professor É trabalhar em grande mutirão lançando as primeiras bases que transformarão idéias em projetos executados em terra firme ou em imensidão.”
Realmente, ensinar é tarefa coletiva que exige um grande mutirão, são “todas las manos, todas” como na canção da Mercedes Sosa. Lançar as primeiras bases buscando transformá-las em idéias e executar projetos em imensidão vai muito além de 15 de outubro ou de um mero registro ou ainda de uma folhinha na parede .
Sem exagero é a antevisão do paraíso!
Obrigada Elton, foi muito bom ter tido você como aluno e vida longa para os projetos que construímos juntos. .
Ivone Bengochea. www.pensareedu.com
.
A palavra calendário é de origem latina, calendarium ou livro de registros, os romanos denominaram calendae, o primeiro dia do mês. Como a maioria das palavras no nosso idioma, calendário é polissêmica, isto é, tem vários sentidos tais como um conjunto especial de eventos planejados.
Nós professores lidamos cotidianamente com datas, números, eventos, planilhas, registros que muitas vezes a nossa primordial tarefa de ensinar se perde no entrevero de livros de freqüências, dos conceitos, as infrequências, das incompreensões e das imprevisões orçamentárias, especialmente às pertinentes aos nossos salários, uma palavra também origem latina. Salário vem de sal, moeda de troca.
Escolheram para nos homenagear o dia 15 de outubro, um dia que alguém escolheu entre os muitos constantes nos livros de registros. Como os índios, os trabalhadores, as mães, os pais, as crianças, as secretárias, mais recentemente os avós e os amigos, todos os dias são iguais para os professores, exceto 15 de outubro.
O Elton Oliveira, um profissional remomado, um ex-aluno muito especial, na sua imensa generosidade me enviou um poema que transcrevo uma estrofe:
“Ser Professor É trabalhar em grande mutirão lançando as primeiras bases que transformarão idéias em projetos executados em terra firme ou em imensidão.”
Realmente, ensinar é tarefa coletiva que exige um grande mutirão, são “todas las manos, todas” como na canção da Mercedes Sosa. Lançar as primeiras bases buscando transformá-las em idéias e executar projetos em imensidão vai muito além de 15 de outubro ou de um mero registro ou ainda de uma folhinha na parede .
Sem exagero é a antevisão do paraíso!
Obrigada Elton, foi muito bom ter tido você como aluno e vida longa para os projetos que construímos juntos. .
Ivone Bengochea. www.pensareedu.com
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Sunday, October 12, 2008
Monday, September 01, 2008
Tuesday, January 08, 2008
NOMES Moacir Scliar
08 de janeiro de 2008
Moacyr Scliar
Nomes
Há uns três anos, viajamos a Boston, onde eu tinha de dar uma conferência. A viagem correu bem, mas, quando chegamos, tivemos uma desagradável notícia: a bagagem se extraviara. No balcão da companhia deram-me um número de telefone e pediram para ligar no dia seguinte. Atendeu-me alguém que se identificou como Simon (pronúncia: Saimon), mas que não era uma pessoa: tratava-se de um programa de computador, formulando questões às quais eu deveria responder: lugar de origem, número do vôo etc. Simon era tão educado quanto um robô pode ser, mas levou dias até que a bagagem aparecesse. Resultado: fiquei com um trauma em relação ao nome Simon. Assim vocês podem imaginar qual foi a minha reação quando, precisando de uma informação, liguei para a TAM e ouvi, do outro lado: "Aqui quem fala é o Saimon". Pensei que estava sofrendo de um delírio paranóico, mas não, o funcionário chama-se mesmo Saimon. Ao contrário de seu homônimo americano, foi muito gentil e prestativo, resolvendo o meu problema. Cheguei a uma conclusão: quando Simon vira Saimon as coisas (com perdão do nosso grande Pedro Simon) melhoram muito.
***
Nomes que condicionam destinos. O Dr. René Guedes da Luz Filho lança luz sobre o assunto mencionando o nome de um veterinário chamado Dr. Cação. Só não consegui descobrir se ele é ictiólogo, acrescenta o Dr. René. O Ramão Marques (Caxias do Sul), fala em uma senhora Leda Penteado, que é cabeleireira. O Sergio Aguinsky apresenta-nos um automobilista alemão que se chama Frank Biela. O Jorge Olintho Pires diz que há um médico anatomista de sobrenome Tirapele. O Dr. Geraldo da Camino, conhecido jurista, lembra o nome do promotor mineiro que investigou a fraude do leite: Cristiano Cassiolato. Numa área similar, a dos nomes que causam constrangimento, o Dr. Nelson Nascimento, advogado, diz que existe uma moça chamada Vaselina Modes (sic). O Sergio Thomas, que é gaúcho e mora em Natal, viu, num supermercado, o nome da garota do caixa, Jonhyevelita. A Rosiléia Germann conta como nasceu seu nome: "A sugestão veio de um amigo dos meus irmãos, provavelmente fã da Jovem Guarda: Rosiléia = Rosemary + Wanderléa". O Cleber Zanatta cita outros nomes estranhos: Deyverson (que é filho da Ilvaniana), Anny Christine e Bryan Rodrigues Rodrigues (isto mesmo, dois Rodrigues).
***
Tenho recebido numerosos e-mails de leitores cultos e inteligentes (não raro ilustres). Respondo a todos, mas gostaria de ter divulgado o conteúdo de suas mensagens, o que, por falta de espaço, não foi possível. Registro, no entanto, alguns nomes (incluindo, como vocês podem ver, gente mui ilustre), com votos de um feliz 2008: José Diogo Cyrillo da Silva, Pedro Antonio, Hique Gomez, Laís Legg, Fabiola Cacciatore, Rogério Gomes, Anelise Branchi, Andrea Motta Marquardt, Jairo José Bratfisch, Neide Maria LaSalvia, Flavio Kapczinki, Maria Angela Otta, Asa Heuser, Betty Barcellos, Carlos Arce, Nelmo Madke, René Guedes da Luz Filho, Franklin Cunha, Ivone Bengochea, Carlos Soares, Ramão Marques, Simone Assumpção, Carlos Ferrarini, Nelson Silveira do Nascimento, Luis Fonseca, Sergio Thomas, Mozart Carvalho, João Carlos Heberle, Rosi German, Cleber Zanatta, Sérgio Aguinsky, Iberê G. de Freitas, Lauro Dieckmann, Claudio L. Eizerick, Carlos Steiner, Gilberto Schäfer, Marcelo Sperling, Paulo Souza, Gustavo Alencastro da Costa, Almir Nery, Klaus W. Brodbeck, Paulo Fogaça, Lea Japur, Eliezer Winkler, Salésio Medeiros, Paulo Roese, Esmeralda Kiefer, Olintho Pires, Victor Stepansky, Claudia Rocha, Mayra De Seta, Verônica Baumhardt, Juliana Predebon, Julia R. de Souza. Obrigado, amigos!
Moacyr Scliar
Nomes
Há uns três anos, viajamos a Boston, onde eu tinha de dar uma conferência. A viagem correu bem, mas, quando chegamos, tivemos uma desagradável notícia: a bagagem se extraviara. No balcão da companhia deram-me um número de telefone e pediram para ligar no dia seguinte. Atendeu-me alguém que se identificou como Simon (pronúncia: Saimon), mas que não era uma pessoa: tratava-se de um programa de computador, formulando questões às quais eu deveria responder: lugar de origem, número do vôo etc. Simon era tão educado quanto um robô pode ser, mas levou dias até que a bagagem aparecesse. Resultado: fiquei com um trauma em relação ao nome Simon. Assim vocês podem imaginar qual foi a minha reação quando, precisando de uma informação, liguei para a TAM e ouvi, do outro lado: "Aqui quem fala é o Saimon". Pensei que estava sofrendo de um delírio paranóico, mas não, o funcionário chama-se mesmo Saimon. Ao contrário de seu homônimo americano, foi muito gentil e prestativo, resolvendo o meu problema. Cheguei a uma conclusão: quando Simon vira Saimon as coisas (com perdão do nosso grande Pedro Simon) melhoram muito.
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Nomes que condicionam destinos. O Dr. René Guedes da Luz Filho lança luz sobre o assunto mencionando o nome de um veterinário chamado Dr. Cação. Só não consegui descobrir se ele é ictiólogo, acrescenta o Dr. René. O Ramão Marques (Caxias do Sul), fala em uma senhora Leda Penteado, que é cabeleireira. O Sergio Aguinsky apresenta-nos um automobilista alemão que se chama Frank Biela. O Jorge Olintho Pires diz que há um médico anatomista de sobrenome Tirapele. O Dr. Geraldo da Camino, conhecido jurista, lembra o nome do promotor mineiro que investigou a fraude do leite: Cristiano Cassiolato. Numa área similar, a dos nomes que causam constrangimento, o Dr. Nelson Nascimento, advogado, diz que existe uma moça chamada Vaselina Modes (sic). O Sergio Thomas, que é gaúcho e mora em Natal, viu, num supermercado, o nome da garota do caixa, Jonhyevelita. A Rosiléia Germann conta como nasceu seu nome: "A sugestão veio de um amigo dos meus irmãos, provavelmente fã da Jovem Guarda: Rosiléia = Rosemary + Wanderléa". O Cleber Zanatta cita outros nomes estranhos: Deyverson (que é filho da Ilvaniana), Anny Christine e Bryan Rodrigues Rodrigues (isto mesmo, dois Rodrigues).
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Tenho recebido numerosos e-mails de leitores cultos e inteligentes (não raro ilustres). Respondo a todos, mas gostaria de ter divulgado o conteúdo de suas mensagens, o que, por falta de espaço, não foi possível. Registro, no entanto, alguns nomes (incluindo, como vocês podem ver, gente mui ilustre), com votos de um feliz 2008: José Diogo Cyrillo da Silva, Pedro Antonio, Hique Gomez, Laís Legg, Fabiola Cacciatore, Rogério Gomes, Anelise Branchi, Andrea Motta Marquardt, Jairo José Bratfisch, Neide Maria LaSalvia, Flavio Kapczinki, Maria Angela Otta, Asa Heuser, Betty Barcellos, Carlos Arce, Nelmo Madke, René Guedes da Luz Filho, Franklin Cunha, Ivone Bengochea, Carlos Soares, Ramão Marques, Simone Assumpção, Carlos Ferrarini, Nelson Silveira do Nascimento, Luis Fonseca, Sergio Thomas, Mozart Carvalho, João Carlos Heberle, Rosi German, Cleber Zanatta, Sérgio Aguinsky, Iberê G. de Freitas, Lauro Dieckmann, Claudio L. Eizerick, Carlos Steiner, Gilberto Schäfer, Marcelo Sperling, Paulo Souza, Gustavo Alencastro da Costa, Almir Nery, Klaus W. Brodbeck, Paulo Fogaça, Lea Japur, Eliezer Winkler, Salésio Medeiros, Paulo Roese, Esmeralda Kiefer, Olintho Pires, Victor Stepansky, Claudia Rocha, Mayra De Seta, Verônica Baumhardt, Juliana Predebon, Julia R. de Souza. Obrigado, amigos!
Friday, September 21, 2007
SOBRE LIVROS E CORRENTES
UM TEMPO PARA NÃO ESQUECER
Ivone Bengochea[1]
Se há tempo para tudo debaixo do sol, como apregoa o texto bíblico, deve haver um tempo para não esquecer que a terra gira em torno do sol. Muitos ainda pensam que a terra é centro do mundo, não obstante a chuva de informações a respeito e o martírio de Giordano Bruno. Pior, muitos acham que o mundo gira em direção aos seus umbigos e, consequentemente eles são o umbigo do mundo.
Não somente os poderosos pensam assim. Aliás, os poderosos do mundo podem pensar assim. Eles são poderosos e ponto final, pelo menos até o próximo parágrafo. O problema são os que se pensam poderosos com seus discursinhos decorados e acorrentados pelas suas pretensas e difusas ideologias. Ideologias que não passam pelo crivo de uma sentença indignada do velho Marx. Qual ideologia meu bem? Aquela que eu preciso para viver? Ou por aquela que eles professam e não sabem a razão? Uma oficina sobre a Grécia Antiga é um perigo, os gregos são perigosos e não se coadunam ideologicamente com os contemporâneos líderes dos professores..
Alguém disse que “a glória não paga nada e extingue-se.” Certamente os antigos sabiam disso, os contemporâneos são pagos e exaltam-se, mesmo que sejam extintos. Como extinguiram a biblioteca da nossa entidade de classe e a trocaram por uma tímida sala de leitura, sob alegação de estorvo no espaço físico, e a pouca procura. Os livros, especialmente para a maior entidade da América Latina que congrega professores e funcionários de escola, – ou o politicamente correto trabalhadores em educação –, não deveriam nunca estorvar os dirigentes sindicais e seus associados.
No barraco da associação dos garis, em São Paulo, os livros não são estorvos, são bem-vindos, são lidos. No CIP Carlos Santos, em Porto Alegre, onde estão os meninos encarcerados, cumprindo medidas sócio-educativas, existe uma biblioteca e os meninos, mesmo encarcerados lêem e são incentivados a ler. No bairro operário das Rocas, em Natal, há um humilde pescador que coleciona livros, empresta para os vizinhos e doa para as crianças que o procuram. Nos pobres barracos e no bairro humilde potiguar os livros não incomodam.
No sexagenário e combativo CPERS-Sindicato os livros estorvam, incomodam e precisam ceder os espaços e salas para as múltiplas correntes ideológicas que permeiam os nossos lideres. Nossa entidade está acorrentada sim e as correntes aprisionam. Uma prova do aprisionamento nos elos do dogmatismo é o silêncio sobre o julgamento do presidente do Senado Federal ou sobre a não inclusão da Filosofia e da Sociologia nos currículos das escolas estaduais, apesar de aprovada pelo Conselho Federal de Educação no ano passado. Aulinhas de Filosofia e Sociologia são complementos já disse uma proeminente líder classista, na última greve. Provavelmente a história não a absolverá, as lideranças passam, a história continua com a ética ainda precisando sair das retóricas discursivas.
[1] Professora de Filosofia no ensino médio e universitário, coordenadora do PENSARE
Ivone Bengochea[1]
Se há tempo para tudo debaixo do sol, como apregoa o texto bíblico, deve haver um tempo para não esquecer que a terra gira em torno do sol. Muitos ainda pensam que a terra é centro do mundo, não obstante a chuva de informações a respeito e o martírio de Giordano Bruno. Pior, muitos acham que o mundo gira em direção aos seus umbigos e, consequentemente eles são o umbigo do mundo.
Não somente os poderosos pensam assim. Aliás, os poderosos do mundo podem pensar assim. Eles são poderosos e ponto final, pelo menos até o próximo parágrafo. O problema são os que se pensam poderosos com seus discursinhos decorados e acorrentados pelas suas pretensas e difusas ideologias. Ideologias que não passam pelo crivo de uma sentença indignada do velho Marx. Qual ideologia meu bem? Aquela que eu preciso para viver? Ou por aquela que eles professam e não sabem a razão? Uma oficina sobre a Grécia Antiga é um perigo, os gregos são perigosos e não se coadunam ideologicamente com os contemporâneos líderes dos professores..
Alguém disse que “a glória não paga nada e extingue-se.” Certamente os antigos sabiam disso, os contemporâneos são pagos e exaltam-se, mesmo que sejam extintos. Como extinguiram a biblioteca da nossa entidade de classe e a trocaram por uma tímida sala de leitura, sob alegação de estorvo no espaço físico, e a pouca procura. Os livros, especialmente para a maior entidade da América Latina que congrega professores e funcionários de escola, – ou o politicamente correto trabalhadores em educação –, não deveriam nunca estorvar os dirigentes sindicais e seus associados.
No barraco da associação dos garis, em São Paulo, os livros não são estorvos, são bem-vindos, são lidos. No CIP Carlos Santos, em Porto Alegre, onde estão os meninos encarcerados, cumprindo medidas sócio-educativas, existe uma biblioteca e os meninos, mesmo encarcerados lêem e são incentivados a ler. No bairro operário das Rocas, em Natal, há um humilde pescador que coleciona livros, empresta para os vizinhos e doa para as crianças que o procuram. Nos pobres barracos e no bairro humilde potiguar os livros não incomodam.
No sexagenário e combativo CPERS-Sindicato os livros estorvam, incomodam e precisam ceder os espaços e salas para as múltiplas correntes ideológicas que permeiam os nossos lideres. Nossa entidade está acorrentada sim e as correntes aprisionam. Uma prova do aprisionamento nos elos do dogmatismo é o silêncio sobre o julgamento do presidente do Senado Federal ou sobre a não inclusão da Filosofia e da Sociologia nos currículos das escolas estaduais, apesar de aprovada pelo Conselho Federal de Educação no ano passado. Aulinhas de Filosofia e Sociologia são complementos já disse uma proeminente líder classista, na última greve. Provavelmente a história não a absolverá, as lideranças passam, a história continua com a ética ainda precisando sair das retóricas discursivas.
[1] Professora de Filosofia no ensino médio e universitário, coordenadora do PENSARE
Thursday, September 20, 2007
AS PALAVRAS
AS PALAVRAS SE DISTENDEM/ ESTALAM E MUITAS
VEZES SE QUEBRAM.
T. S. Eliot ( 1888-1965), poeta norte-americano, naturalizado inglês.
VEZES SE QUEBRAM.
T. S. Eliot ( 1888-1965), poeta norte-americano, naturalizado inglês.
Sunday, September 09, 2007
AMOR EM TEMPOS CÓSMICOS
Se foi o cumprimento de uma antiga profecia, ou estava escrito nos desígnios das estrelas, não importa – os mistérios nunca serão desvendados – sob o risco de não serem mais mistérios. Nem nós queremos! O certo é que, naquele dia, embebidos pela imprevisibilidade dos tempos, estávamos separados e em pontos opostos no planeta, entrecruzados por meridianos e paralelos, linhas, retas, graus e complicadas escalas geométricas.
Olhávamos embevecidos, sem saber da existência um do outro, o movimento de rotação da terra, até ficarmos bastante tontos e sonolentos devido ao balanço cósmico. Tal como Pascal, em outros séculos, percebemos que os espaços infinitos são apavorantes e por isso nos sentíamos irremediavelmente sós, entediados, aborrecidos e desencantados, com nossas sinucas existenciais diante da realidade barulhenta que nos circundava. O que nos restou fazer, quem sabe como única alternativa, foi deixar nossos corpos e nossos sentimentos viajarem ao sabor dos ritmos celestes. E assim o fizemos intuitivamente.
Num impulso, jogamos nossas redes no universo, navegamos a favor das aragens, enfrentamos tormentas, tempestades, ciclones, maremotos, tufões, terremotos e calmarias. Ignoramos, propositadamente, os sinais confusos dos aparelhos náuticos que estavam ao nosso alcance com suas formas indecifráveis e, como náufragos sem bússola, nos cruzamos enredados em teias indescritíveis – atraídos, certamente, por uma inexplicável química mágica. Quando sentimos os primeiros sinais de bonança e o vento ficou mais ameno, nos permitimos um espaço de pausa na jornada.
Foi assim que nos vimos pela primeira vez, ou provavelmente nos reencontramos. Não sei se éramos dois estranhos ou velhos conhecidos, a segunda hipótese é a mais provável porque permanecíamos horas e horas do relógio cósmico a contar e recontar histórias e trajetos vividos, curando nossas feridas, despidos de vaidades, das culpas seculares e sem saudades do perdido paraíso terrestre.
Vivenciamos momentos mágicos de intensa ternura, grudados um no outro, com beijos insondáveis e carências milenares. Tentávamos, assim, avidamente, preencher com amor infinito, as lacunas deixadas pelos desamores doloridos que carregávamos como bagagem insuportável, desde que empreendemos a nossa inusitada viagem cósmica. Assim, rejuvenescemos a olhos vistos, os incômodos sinais do tempo se atenuaram e, como éramos atemporais, sabíamos que no tempo cósmico nunca se envelhece.
Se estávamos numa ilha paradisíaca, ou em qualquer outro acidente geográfico convencional, constituia-se numa questão nada importante para nós. Fascinados um pelo outro, dispensamos a razão instrumental, os blocos de anotações, os computadores e nos guiamos por outros paradigmas intuitivos, sentimentais, amorosos que até então ignorávamos e relutávamos em nos permitir.
Passeávamos de mãos dadas, colhíamos as raízes e nos alimentávamos da luminosidade solar e da energia do universo. Os teimosos raiozinhos de sol nos abençoavam e, em cada grão de areia que pisávamos, estava ali presente a sabedoria de milênios. Aprendemos a ler nas estrelas, no movimento dos astros, nas pegadas da praia, no colorido das plantas e nos desenhos dos penhascos. Morríamos de rir, quando víamos que muitos penhascos tinham a nossa imagem, talvez como marcas registradas dos nossos tropeços terrenos.
Assim, experimentamos e nos apropriamos do melhor dos tempos à disposição dos humanos: o tempo da delicadeza. Um tempo para o qual é preciso optar pelo mundo dos sonhos, experimentar a felicidade como uma idéia nova e fugir das sombras do medo.
Friday, June 29, 2007
OS OLHOS DO OFTALMO
OS OLHOS DO OFTALMO
Nas lentes poderosas em poder do Oftalmo não há mistério que resista, todos são inevitavelmente devassados.
Afinal, o que se busca num consultório médico, a não ser que devassem os nossos males em todos os graus?
Mas, como sempre há um ser humano por detrás dos óculos, inevitavelmente, há um homem oculto examinando os nossos olhos.
Esse homem é o Oftalmo especial para quem dedico uma homenagem especial em nome dos tempos em que não usávamos lentes e nos olhávamos olhos nos olhos. Tão próximos que nos confundíamos e devassávamos a cor das nossas íris.
Mas, hoje, tão longe precisamos de lentes poderosas para permutar nossas mensagens eletrônicas.
Dedico para quem me ensinou ler Paulo Freire, ainda em espanhol e sem lentes de grau.
Nas lentes poderosas em poder do Oftalmo não há mistério que resista, todos são inevitavelmente devassados.
Afinal, o que se busca num consultório médico, a não ser que devassem os nossos males em todos os graus?
Mas, como sempre há um ser humano por detrás dos óculos, inevitavelmente, há um homem oculto examinando os nossos olhos.
Esse homem é o Oftalmo especial para quem dedico uma homenagem especial em nome dos tempos em que não usávamos lentes e nos olhávamos olhos nos olhos. Tão próximos que nos confundíamos e devassávamos a cor das nossas íris.
Mas, hoje, tão longe precisamos de lentes poderosas para permutar nossas mensagens eletrônicas.
Dedico para quem me ensinou ler Paulo Freire, ainda em espanhol e sem lentes de grau.
Monday, June 25, 2007
Wednesday, April 25, 2007
MISTÉRIO
Saturday, March 03, 2007
AS PALAVRAS EM BUSCA DE RESPOSTAS
O que será que acontece com as palavras quando elas desaparecem?
Ou será que brincam de esconde-esconde e temos buscá-las nos esconderijos dos tempos. Para onde vão as juras de amor eterno ou as terríveis sentenças de amores findos.
“Tantas palavras que eu conhecia, saíram de cartaz”. Seria muita ousadia questionar o Chico Buarque. Não me animo. Sou uma tiete inveterada e ficaria muda na sua presença. O Chico alimenta eternamente o imaginário da minha geração, dá alento aos devaneios existenciais transcende o tempo vivo. Ele fala, eu calo. Na sua presença eu fico a contemplar seus olhos multicoloridos. Bem que gostaria, é claro. Sonhar viajando nas canções ainda é permitido.
O que acontece quando as imagens valem mais que mil palavras?
Ai teria que buscar as chaves guardadas pelo Almodóvar. Meu Deus! É paranóia, megalomania? Não sei, ou não quero admitir. As mulheres do cineasta são reais, mesmo na pele de seus personagens. São engraçadas, riem e choram com elegância, só Almodóvar é capaz de dosar elegância nas horas trágicas. É elegante também na denúncia que permeia o mundo feminino. É permitido enlouquecer com ele, cantar, dançar e volver às origens.
Dedico a todos os homens solidários mesmo que não sejam poetas nem cineastas
Ou será que brincam de esconde-esconde e temos buscá-las nos esconderijos dos tempos. Para onde vão as juras de amor eterno ou as terríveis sentenças de amores findos.
“Tantas palavras que eu conhecia, saíram de cartaz”. Seria muita ousadia questionar o Chico Buarque. Não me animo. Sou uma tiete inveterada e ficaria muda na sua presença. O Chico alimenta eternamente o imaginário da minha geração, dá alento aos devaneios existenciais transcende o tempo vivo. Ele fala, eu calo. Na sua presença eu fico a contemplar seus olhos multicoloridos. Bem que gostaria, é claro. Sonhar viajando nas canções ainda é permitido.
O que acontece quando as imagens valem mais que mil palavras?
Ai teria que buscar as chaves guardadas pelo Almodóvar. Meu Deus! É paranóia, megalomania? Não sei, ou não quero admitir. As mulheres do cineasta são reais, mesmo na pele de seus personagens. São engraçadas, riem e choram com elegância, só Almodóvar é capaz de dosar elegância nas horas trágicas. É elegante também na denúncia que permeia o mundo feminino. É permitido enlouquecer com ele, cantar, dançar e volver às origens.
Dedico a todos os homens solidários mesmo que não sejam poetas nem cineastas
Monday, February 19, 2007
VIDAS PARALELAS
Das muitas veredas que percorremos, em quase todas ficaram as nossas marcas indeléveis. Sinais, cifras e traços, às vezes invisíveis aos olhos dos transeuntes desavisados, mas perceptíveis aos caminhantes que como nós portadores de sonhos e com espírito apaixonado.
Foram, também, nas mesmas veredas que nos perdemos e nos achamos e nas quebradas das ruas desertas permanecem os vestígios dos nossos beijos furtivos, a gostosura dos nossos amassos e nossa imensa fome de amor, permanentemente insaciável. Tudo muito rápido, às escuras, com medo do flagra. E, nesse vai e vem experimentamos os riscos das noites breves, mas intensas em que tínhamos como fiel companheiro: o perigo. Viver sempre é perigoso. Nossas roupas coloridas brilhavam a luz da lua e os nossos corpos desfrutavam o sabor da aragem que refrigera as almas e que funcionava como antídoto
Quando o dia raiava éramos essencialmente normais, normalíssimos, tão certinhos e marcadamente monótonos. Desempenhávamos com eficiência a nossa rotina a luz do sol, os passos certos, os sentimentos contidos. Parecíamos seres andróginos, assexuados, desprovidos de alma e sem imaginação. Discretíssimos como convinha aos prudentes papéis que nos destinaram. Era assim que sobrevivíamos para enfrentar o tempo através das nossas camuflagens. Ninguém nos reconhecia atrás daquelas vestes em preto e branco, do terno, da gravata e da comportada saia midi ou do terninho de executiva.
Na noite, éramos poetas, compúnhamos versos, e como tais conseguíamos captar as mensagens dos tempos e nos arvoramos profetas e menestréis para anunciar o mundo novo. Mas, como o mundo colorido estava ainda distante, nos restava semear na escuridão. E na escuridão semeamos, capinávamos os cardos, os espinhos que espetavam nossas mãos românticas. Sempre, sempre assim, até o próximo amanhecer.
E, assim vivemos noites e noites, dias e dias, crepúsculos e auroras. Amassávamos de noite e nos alisávamos de dia.
Escrevi para lembrar dos nossos sonhos sonhados e vividos.
Foram, também, nas mesmas veredas que nos perdemos e nos achamos e nas quebradas das ruas desertas permanecem os vestígios dos nossos beijos furtivos, a gostosura dos nossos amassos e nossa imensa fome de amor, permanentemente insaciável. Tudo muito rápido, às escuras, com medo do flagra. E, nesse vai e vem experimentamos os riscos das noites breves, mas intensas em que tínhamos como fiel companheiro: o perigo. Viver sempre é perigoso. Nossas roupas coloridas brilhavam a luz da lua e os nossos corpos desfrutavam o sabor da aragem que refrigera as almas e que funcionava como antídoto
Quando o dia raiava éramos essencialmente normais, normalíssimos, tão certinhos e marcadamente monótonos. Desempenhávamos com eficiência a nossa rotina a luz do sol, os passos certos, os sentimentos contidos. Parecíamos seres andróginos, assexuados, desprovidos de alma e sem imaginação. Discretíssimos como convinha aos prudentes papéis que nos destinaram. Era assim que sobrevivíamos para enfrentar o tempo através das nossas camuflagens. Ninguém nos reconhecia atrás daquelas vestes em preto e branco, do terno, da gravata e da comportada saia midi ou do terninho de executiva.
Na noite, éramos poetas, compúnhamos versos, e como tais conseguíamos captar as mensagens dos tempos e nos arvoramos profetas e menestréis para anunciar o mundo novo. Mas, como o mundo colorido estava ainda distante, nos restava semear na escuridão. E na escuridão semeamos, capinávamos os cardos, os espinhos que espetavam nossas mãos românticas. Sempre, sempre assim, até o próximo amanhecer.
E, assim vivemos noites e noites, dias e dias, crepúsculos e auroras. Amassávamos de noite e nos alisávamos de dia.
Escrevi para lembrar dos nossos sonhos sonhados e vividos.
Sunday, February 11, 2007
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